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Posts Tagged ‘José Padilha’

Caveira!

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Ontem finalmente encontrei coragem e assisti ao filme Tropa de Elite – Bope. Coragem porque estava com receio da violência que dizem existir no filme. Mas a curiosidade foi maior, ainda mais depois do que houve na exibição do filme no Festival de Berlim: a cópia com legenda em inglês não foi encontrada, e depois de muito atraso, o filme foi traduzido por uma mulher…. ao vivo. Imagino a coitada traduzindo todos os palavrões e gírias e o público, a maioria da imprensa, submetidos a isto. Não, isso não ajudou ao filme e as críticas foram ou de amor ou de ódio, o mesmo que aconteceu por aqui. Mas mesmo assim, só agora depois de vê-lo, entendo porque o filme é tão polêmico.
Ele não traz nenhuma novidade de roteiro ou de filmagem, neste ponto é bem parecido com Cidade de Deus. O que acontece é um grande desconforto quando o filme acaba e a gente percebe que torceu o tempo todo para o Batalhão de Operações Especiais. E isto significa ser conivente com toda a violência que o Bope faz uso prá fazer valer sua lei. Segundo o filme, não existe outra maneira de combater o tráfico, já que a polícia é corrupta e os bandidos estão armados até os dentes. É a força bruta e somente ela, quem fala mais alto, nesta vida cão das favelas do Rio de Janeiro.
Esta ambivalência de sentimentos também é vivida pelo protagonista, o Capitão Nascimento, que vê sua humanidade ressurgir com a chegada do seu primeiro filho, humanidade que não é permitida em sua profissão. E então, ele pede para deixar a tropa. Vemos o treinamento cruel a que são submetidos os novos possíveis integrantes e o Capitão Nascimento desumanizar por completo o seu substituto, para que ele possa deixar um discípulo a altura. A Tropa é forte, cheio de homens másculos que vestem preto e usam uma caveira com uma faca no crânio.
A violência do filme não me chocou, o que prova mais uma vez que estamos saturados deste tipo de cena. E que talvez fiquemos mais frios a cada dia, principalmente pelas atrocidades que acontecem diariamente aqui e no mundo. Não acho que o filme faz apologia à violência. Ele na verdade nos faz pensar na violência a que já estamos habituados e nos ver, infelizmente, participantes dela. O que faremos com esta realidade tão triste que nos cerca?

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