Se o mercado brasileiro só desvaloriza o designer com salários baixos e nenhum desafio criativo (”copia o encarte deste livro que eu trouxe de Paris!”), lá fora, a gente faz bonito!!! Duas brasileiras, Ana Eliza Guedelha e Nathalia Favaro, venceram o Internacional Designer’s Workstation 2008, na categoria profissional. Na categoria estudante, mais uma brazuca no primeiro lugar: Luiza Barroso em dobradinha com o francês Quentin Vaulot. O tema deste ano foi o desenvolvimento de uma estação de trabalho para o designer deste novo século. O prêmio teve inscrição de 30 países. Saiba mais aqui:


Fui assistir ao filme Homem de Ferro (muito legal, diversão garantida) ontem e vi o trailler do novo Indiana Jones. Impressionante como passados tantos anos, Harrison Ford continua o mesmo chuchu de sempre. Não queria pensar desta forma, masss, imagine se fosse uma mulher no papel? Ela estaria mais para Pelanca Jones. Por que a maioria dos homens continua bem apesar das rugas e nós mulheres, despencamos? Magoei.

Uma sonequinha a dois.
Estive este final de semana em Buenos Aires. Na verdade, tenho um gato muito fofo, o Nico e achei que ele ficaria mais feliz com uma companhia. Então, fui buscar Olívia em Buenos Aires, porque os gatis no Brasil estão quase todos infectados. Bom, venderam-me o Nico como se fosse de raça e ele veio muito doente. Então aproveitei a ida até lá para curtir um pouco, fiquei no bairro de Palermo Viejo. É muito legal ver o bairro cheio de lojas bacanas de novos designers. Parece que existe uma outra condição, para que estes estilistas consigam se manter e produzir. Coisa impossível de se ver hoje em dia no Brasil. Um bairro em São Paulo que poderia ser nossa Palermo é a Vila Madalena, há designers interessantes por lá, mas não com o mesmo fôlego que se vê em Buenos Aires. As coleções de inverno não estavam muito criativas, via-se mais o comercial mesmo, mas visitei uma loja e me surpreendi, a Nadine Zlotogora. A mistura de materiais é inusitada e a modelagem, perfeita! Conheça mais aqui. Ps: Nico e Olívia estão apaixonados!!!

Houve um tempo em que era muito bacana receber um catálogo em casa, porque além de serem publicações especiais, com design interessante, papel especial, impressão diferenciada, poucas empresas produziam este tipo de material, por ser algo caro mesmo. Hoje, a produção gráfica continua cara, então, procura-se produzir formatos baratos. Então, resumindo, nunca recebi tanta coisa sem graça. E mesmo quando se opta por algo mais caro, a pergunta que me vem é: por que gastar tanto com algo que perde rápido sua utilidade? Uma espiada e pronto: ou vai pro lixo, ou fica guardado, juntando poeira. Em tempos de consumo consciente, acho que esta mídia deveria ser repensada. Ser produzida somente quando se tem algo a dizer. E quando poderemos utilizar a publicação para outras coisas: um catálogo que vira bloco de anotação, ou um móbile, luminária, etc. Além de não ficarmos com a sensação de estarmos poluindo o mundo, nos surpreenderemos com o que chamo de criatividade utilitária.

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ps: assisti ao Tropa de Elite no cinema e não que seja totalmente contra a pirataria. Mas, por exemplo, adoro o Michel Gondry e a droga da distribuidora não lança o filme dele por aqui, sei lá por que e não existe nenhum lugar onde possa baixar o filme dele pagando, porque estou no Brasil e o serviço é só prá país rico e desenvolvido. O mesmo acontece com música. Tento baixar músicas pagas no Itunes e na Amazom.com e sou informada que eles também não podem vender para o Brasil. Concluindo, somos cucarachas, e tratados como cucaracha pelo governo que não se moderniza para as novas práticas de comércio que sugiram com a internet. Desta forma, como posso ter aquilo que procuro, senão pirateando?

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Ontem finalmente encontrei coragem e assisti ao filme Tropa de Elite - Bope. Coragem porque estava com receio da violência que dizem existir no filme. Mas a curiosidade foi maior, ainda mais depois do que houve na exibição do filme no Festival de Berlim: a cópia com legenda em inglês não foi encontrada, e depois de muito atraso, o filme foi traduzido por uma mulher…. ao vivo. Imagino a coitada traduzindo todos os palavrões e gírias e o público, a maioria da imprensa, submetidos a isto. Não, isso não ajudou ao filme e as críticas foram ou de amor ou de ódio, o mesmo que aconteceu por aqui. Mas mesmo assim, só agora depois de vê-lo, entendo porque o filme é tão polêmico.
Ele não traz nenhuma novidade de roteiro ou de filmagem, neste ponto é bem parecido com Cidade de Deus. O que acontece é um grande desconforto quando o filme acaba e a gente percebe que torceu o tempo todo para o Batalhão de Operações Especiais. E isto significa ser conivente com toda a violência que o Bope faz uso prá fazer valer sua lei. Segundo o filme, não existe outra maneira de combater o tráfico, já que a polícia é corrupta e os bandidos estão armados até os dentes. É a força bruta e somente ela, quem fala mais alto, nesta vida cão das favelas do Rio de Janeiro.
Esta ambivalência de sentimentos também é vivida pelo protagonista, o Capitão Nascimento, que vê sua humanidade ressurgir com a chegada do seu primeiro filho, humanidade que não é permitida em sua profissão. E então, ele pede para deixar a tropa. Vemos o treinamento cruel a que são submetidos os novos possíveis integrantes e o Capitão Nascimento desumanizar por completo o seu substituto, para que ele possa deixar um discípulo a altura. A Tropa é forte, cheio de homens másculos que vestem preto e usam uma caveira com uma faca no crânio.
A violência do filme não me chocou, o que prova mais uma vez que estamos saturados deste tipo de cena. E que talvez fiquemos mais frios a cada dia, principalmente pelas atrocidades que acontecem diariamente aqui e no mundo. Não acho que o filme faz apologia à violência. Ele na verdade nos faz pensar na violência a que já estamos habituados e nos ver, infelizmente, participantes dela. O que faremos com esta realidade tão triste que nos cerca?

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Incrível o novo filme dos irmãos Coen, aqui traduzido para “Onde os Fracos Não Têm Vez”. As traduções quase sempre são um problema, neste caso, a gente pensa que é um filme de faroeste. Não que as referências não estejam lá, mas não é disso apenas que o filme trata. Além de ser uma história muito bem contada, temos o tempo todo o acaso. A sucessão de acontecimentos que preenchem a tela depois que Llewelyn Moss (Josh Brolin) encontra uma mala de dinheiro no deserto, onde uma transação de drogas não dá certo, fez-me perguntar sobre o acaso. Porque apesar dos personagens agirem conforme suas vontades, o acaso está sempre rondando e decidindo muita coisa. Existem outras camadas importantes neste filme, mas aquilo que não conseguimos controlar foi o que me chamou mais a atenção. Javier Bardem cria um assassino impressionante, e Tommy Lee Jones (ótimo como personagem de velho-oeste, como em Três Enterros de Melquíades Estrada) é o Old Man, testemunha de um mundo que não existe mais, substituido por assassinatos em série. “Onde os Fracos…” tem 8 indicações para o Oscar 2008.

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Acho muito legal quando a moda se propõe a pensar a ecologia: nosso planeta tá prá lá de devastado… E a produção de roupas polui bastante. Mas também acho importante que estas ações não sejam vazias e feitas apenas como um argumento a mais prá se conseguir mídia (o que muitas vezes acontece). O que seria mais legal mesmo seria saber que as marcas começam a se preocupar com o assunto dentro de suas casas, através de ações como coleta seletiva de lixo, garantia de um ambiente saudável de trabalho, uso de matérias primas de procedência sustentável e técnicas menos poluentes. Fiquei sabendo que um shopping (no Brasil) convidou a Vivienne Westwood para uma ação ecológica, e ela quis saber o que eles já faziam sobre o assunto. Como a resposta foi nada, ela não aceitou o convite. Mandou bem!

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Toda vez que preciso cancelar um serviço, fico enrolando até o último minuto. Mas hoje, tive que ligar prá cancelar uma linha fixa no ateliê, porque resolvi testar o netfone, já que tenho vírtua. Primeiro round: encontrar no menu de voz o cancelamento de linhas. Tive que escolher umas 10 opções até chegar onde queria. Segundo round: esperar pelo atendimento, ouvindo uma música da Enya. Coloquei no viva-voz enquanto trabalhava e o telefone ficou parecendo um rádinho de pilhas AM. Terceiro round: conseguir ser atendida, depois de muita espera. A atendente foi super educada e atenciosa, mas a impressão que tive é de que alguém estava do lado dela com uma arma na mão, e que atiraria, caso ela não conseguisse me fazer mudar de idéia. Eu dava uma justificativa para o cancelamento da linha e ela dizia: mais um momento, por favor… Depois de um momento, lá vinha ela com mais uma justificativa para que eu ficasse com linha, promoções por seis meses, etc, etc. Fui ficando muito nervosa, porque não queria ser mal educada com a pessoa, mas foi tanta insistência, que tive que ser grossa. No final, desliguei me sentindo muito mal, com pena de quem trabalha nestas empresas, onde um atendimento deste tipo, é a norma. Juro que nunca mais terei uma linha deles.

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No final do ano passado sofri uma over dose de filmes do cineasta italiano Michelangelo Antonioni. Tudo começou quando assisti ao filme “Profissão: Repórter” (The Passenger), com Jack Nicholson (incrível!) e Maria Schneider (veja o trailler aqui). Fiquei maluca! Achei a cena final tão inovadora que lá fui eu assistir aos seus outros filmes: “A Aventura”, de 60, “A Noite”, de 61, “O Eclipse”, de 62, “Blow-Up”, de 66, “Zabriskie Point” de 70 (que eu não entendi direito porque vi uma cópia em russo) e Profissão: Repórter”, de 74. Não sei explicar por que este meu interesse, mas recomendo todos os títulos prá quem tiver paciência, e pelo menos “Profissão: Repórter”, prá quem for mais afoito. Explico-me: Antonioni era chamado de ” o poeta do tédio”, pela maneira como filmava as questões existenciais: cenas lentas, silêncios, closes e cortes sem explicação aparente, enfim, um tipo de cinema que não se faz mais atualmente, um cinema que não é intretenimento, mas considerado como forma de expressão “total”: um ponto de encontro entre a arquitetura, literatura, filosofia.

Li a pouco tempo que Antonioni pretendia rodar no Brasil. Fez locações em Brasília e na Amazônia; a aridez em oposição à umidade. Mas nunca conseguiu realizar o projeto, que foi vetado pelo seu produtor. O filme se chamaria “Tecnicamente Doce” e o roteiro é de 66. Bem, acho que teria sido o seu melhor filme. Segundo o próprio diretor, sua “intenção, em resumo, era tocar no tema do canibalismo, declinado sob todas as suas formas”. Imagine só?

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